Crise pentecostal

Uma crise tem-se espalhado no panorama do cristianismo moderno, e seus tentáculos alcançaram os recessos de boa parte do movimento evangélico e do movimento pentecostal-carismático. Trata-se da crise da baixa valorização e da negligencia da teologia.

Uma inclinação pelo espetacular, pela manipulação emocional e pelo discipulado superficial muitas vezes substitui a prática benéfica de forjar um sistema de crença ortodoxo, isto é, um sistema que nos ampare contra a heresia, articule os princípios de nossa fé, nos afaste dos preconceitos e nos ajude a alcançar um mundo confuso pelo clamor simultâneo de um milhão de opiniões confusas.

Por causa de nossa abordagem democrática a exposição da Bíblia, muitos fiéis cheios do Espírito reivindicam que sua verdade é verdade quer sua descoberta se coadune quer não com a interpretação dos princípios bíblicos já testados. Isso aumenta a fileira dos religiosos relativistas que tem pouca necessidade das mãos da hermenêutica do corpo de Cristo. Eles se tornam arquitetos de uma “ortodoxia” própria, banalizando dois mil anos de pensamento teológico árduo. Como resultado, alguns que gritam alto contra o autoritarismo papista tornam-se por sua vez o próprio reino papal, falando ex cathedra e denegrindo qualquer um que questione sua interpretação particular.

Em meio à doutrina de graça para todos, uma multidão de meias verdades reina suprema, pois quem pode errar em uma atmosfera permeada com credos do tipo: “Isso funcionou para mim”, “Isso é o que significa pra mim” e “Deus me falou”? Seguramente as represas da teologia histórica tem sido esmagadas pelas pressões da popularidade, quando as manipulações técnicas da verdade, os métodos obscuros da mensagem, os sermões práticos com pensamentos provocantes e o sentimento de bem-estar destronam a convicção.

Quando os ricos reservatórios da teologia são negligenciados, as superficialidades da religião pop ascendem para reivindicar a frente e o centro, e as doutrinas divinas de uma era mais reflexiva são substituídas por personalidades hollywoodianas. Sem paixão pela doutrina fértil, o corpo pode muito facilmente se tornar um hibrido estéril, sem possibilidade de gerar um resultado vigoroso, muitas vezes deposito de crescimento que é composto apenas de cristãos reciclados em busca de conveniência e gratificação imediata. Tal é o estado de uma igreja que, embora abrigue uma herança doutrinaria profunda, encontramos em vários setores das tradições evangélicas e pentecostais.

Assim como no caso dos termos “lógica”, “espiritualidade”, “adoração”, “santidade” e uma porção de outros tópicos amplos, cada um parece ter uma definição teórica do que é teologia. Teologia, em seu significado mais simples, é a combinação de duas palavras gregas: Theos, que significa “Deus”, e logos, que denota pensamento, razão, discurso, lógica, palavra”. Desse modo, teologia é “o pensamento que lida com a natureza de Deus e seu relacionamento com a criação”. Por sua vez, esse pensamento pode ser dissecado em muitos subtópicos. Fazer teologia é arranjo ordenado dos ensinamentos (isto é, doutrinas) encontradas na Bíblia, mostrando como um ensinamento se relaciona com o outro. Por meio dessa inter-relação, os cristãos procuram compreender como a doutrina deve ser vivida para a glória de Deus. Em poucas palavras, fazer teologia é o ato de amar o verdadeiro Deus com todo o entendimento com a finalidade de exalta-lo em cada dia de nossa vida.

Depois da recompensa da salvação, a mente humana é o maior beneficio que nos foi confiado. Sem nossa mente não possuiríamos os mecanismos necessários para nos comunicar com nosso criador, ler sua revelação, servimo-nos de sua presença ou comprovar sua existência. Nossa mente é um reflexo da mente de Deus, e nosso desejo de compreender o universo das ideias que Deus disseminou na sua criação é a manifestação de nossa revelação com ele.

Alem disso, nosso esforço para nos tornarmos pensadores de valor nos prepara para vivermos a vida o mais eficazmente possível, a medida que conquistamos e dominamos a Terra (Gn 1.28). Enquanto nos esforçamos como indivíduos e como instituição para desenvolver nosso intelecto por meio do aprendizado, inevitavelmente impregnaremos a sociedade com a fé inflamada de nossa mente em chamas. E com essa união ordenada por Deus, mostraremos ao mundo perdido o que significa ser um povo com mente instruída e renovada: mente moldada pelo criador!
Referencia:
Livro “Pentecostal de coração e mente”. Rick Nañez.

Postado por Marcelo Amorim

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