Os anjos tem livre arbítrio?

O debate se iniciou com a pergunta do Pr Luiz Curvelo sobre os anjos, na sequencia, quem inicia os comentários a respeito é o Pr Clemente, que cita o texto de II Pedro 2.4, “Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;”

O Pr Carlos Roberto inicia participação dizendo que “esse assunto de livre arbítrio é eterno”, porem, gostaria de entender e ouvir os comentários dos demais do grupo.

Dr Wagner Pedro, inicia sua participação, dizendo:

 livre arbítrio dos anjos !!!

Vou postar uma tese de um rabino sobre o assunto,  o texto é meio extenso,  mas é polêmico o que ele fala dos anjos.

Os Anjos Podem Pecar?

Por Yehuda Shurpin

À primeira vista a resposta parece simples. Afinal, não recebemos a Torá exatamente porque os anjos não podem pecar? Como Moshê retorquiu em seu argumento vencedor aos anjos durante seu debate épico no céu sobre quem deveria receber a Torá. “Está escrito na Torá: ‘Não matarás.’ – ‘Não cometerás adultério,’ – ‘Não roubarás.’” Moshê disse: “Há inveja no meio de vocês? Vocês têm uma má inclinação?! Obviamente a Torá não é para vocês.”1

Em outras palavras, somente o homem foi dotado com a inclinação tanto para o bem quanto para o mal. E somente o homem recebeu o livre arbítrio para escolher um dos dois. Um anjo, por outro lado, não tem má inclinação e portanto não tem livre arbítrio. Isso poderia dar a entender que um anjo é uma espécie de robô, que não pode se rebelar nem pecar.

Até o exemplo frequentemente citado do Satã como um anjo expulso é um grosseiro mal-entendido. Satã é meramente o nome de um anjo cuja tarefa divinamente designada é seduzir as pessoas ao pecado. Este anjo é também o promotor que faz as acusações perante a corte celestial contra aqueles que sucumbem às suas seduções engenhosas. A palavra satã simplesmente significa promotor em hebraico. Se a corte Celestial decide que está na hora de alguém morrer, então o Satã é o enviado para tirar sua vida. De fato, o Talmud nos diz que “Satã, o anseio de fazer o mal, e o Anjo da Morte são um só.”2 Todos esses títulos são simplesmente múltiplas descrições de cargo para um anjo. Um anjo cumprindo seu dever divino dificilmente está em conflito com seu próprio Criador.3

Tudo isso, no entanto, é aparentemente contradito pelo versículo em Job que declara: “Um mortal pode ser mais justo que D’us, ou pode um homem ser mais puro que seu Criador? Veja, Ele não confia em Seus servos e Ele lança censura sobre Seus anjos.”4

E dizemos na liturgia de Yom Kipur:

“Os anjos estão desgostosos, eles estão invadidos pelo medo e tremendo enquanto proclamam: Vejam o Dia do Julgamento! Pois todas as hostes do céu são levadas a julgamento. Eles não serão inocentes aos Teus olhos.”

Essas duas citações implicam claramente que apesar daquilo que dissemos, os anjos de alguma forma conseguem pecar até sem ter uma má inclinação, e são julgados em Yom Kipur. Além disso, encontramos vários exemplos no Midrash e Talmud de anjos sendo punidos. O castigo implica que alguém tinha escolha sobre a questão.

Por exemplo, o Midrash procura uma explicação para o versículo sobre o sonho de Yaacov: “E ele sonhou, e viu uma escada fincada no chão e o topo chegava ao céu; e vejam, anjos de D’us estavam subindo e descendo por ela.”5 Isso parece estar na ordem inversa. Os anjos não deveriam estar primeiro descendo para este mundo do seu lugar de origem, e somente depois subindo?

Rabi Chomah, filho de Rabi Chanina, interpretou essa sequência inversa da seguinte maneira: “Quando os anjos enviados para baixo para salvar Lot e destruir Sodoma, eles foram maus e atribuíram o ato a si mesmos, dizendo: “Pois nós estamos destruindo este lugar, porque o grito deles se tornou grande perante o Eterno, e o Eterno nos enviou para destruí-lo.”6 Em seguida, eles foram punidos e postos para vagar pelo mundo durante 138 anos. Somente agora, no tempo do sonho de Yaacov,7 eles puderam retornar. É por isso que o versículo primeiro diz que eles estavam subindo e somente depois descendo.8 9 Castigo implica pecado. Nesse caso, o Midrash acima citado implica que anjos podem e de fato pecaram.

Rabino Yeshaya Halevi Horowitz em seu clássico Shnei Luchot HaBrit (Shelah) fornece uma explicação. Ele concorda que anjos não têm má inclinação e portanto, não podem pecar no sentido convencional da palavra, contrariando deliberadamente a vontade de seu Criador. No entanto, os anjos são criações de D’us como qualquer outra criação, embora criaturas mais espirituais e intelectualmente inclinadas que vivem num plano mais elevado que o nosso. Por definição, não há criação que seja perfeita; a única perfeita é o Criador. Todo ser criado, até o intelecto mais alto, de alguma forma oculta a suprema realidade. Portanto, embora um anjo não possa pecar, pode cometer um erro ou pelo menos apresentar uma distorção da verdade.10

Um anjo não é meramente um robô; é algo como um robô com sua própria inteligência. Talvez a melhor analogia seja aquela dos androides na ficção científica que têm a própria inteligência e mesmo assim são incapazes de deliberadamente fazer algo contrário à função para a qual foram projetados – mas apesar disso cometem erros.

Foi assim que os anjos enviados para destruir Sodoma pecaram. Quando um anjo é enviado numa missão divina, é para cumprir aquele dever enquanto deixa totalmente de lado a própria identidade. Porém, quando os anjos foram destruir Sodoma, eles falaram como se eles mesmos estivessem para destruir a cidade. Embora isso não tivesse impacto sobre a missão em si, mesmo assim foi considerado como um pecado, pois distorceu a verdade sobre seu papel na missão. Foi um erro devido às suas imperfeições, e não uma falha em cumprir uma missão divina.

Além disso, Rabi Yonatan Eibshitz11 explica que há dois tipos de pecados. O primeiro é o tipo mais comum, um pecado que vem através da má inclinação nos seduzindo a errar. Mas há um outro tipo de pecado que não vem através da má inclinação; pelo contrário, este pecado é transgredido por “santidade”.

Toda pessoa – e todo anjo – tem seu nível de entendimento e santidade. Uma pessoa deve se esforçar para atingir um caminho cada vez mais elevado. O problema surge quando um ser (humano ou anjo) tenta subir muito rapidamente e atinge um nível de revelação ou compreensão que transcende muito seu estado objetivo de ser. Isso, escreve Rabi Eibshitz, pode ser comparado a alguém que bebe vinho demais muito depressa, ou “mais do que pode tolerar”, o que lhe faz – na melhor das hipóteses – cair no sono, mas se tivesse tomado o vinho lentamente não apenas nada de negativo teria acontecido, como ainda teria sido benéfico para a saúde.12

Isso então lança uma nova luz sobe o significado do versículo de Job acima citado. Os anjos são repreendidos não tanto pelos pecados que podem ter cometido no sentido convencional. Em vez disso, é pelos pecados feitos por pureza e integridade, procurando se elevar a um nível mais elevado que seu estado objetivo de ser, como declara o versículo: “Pode um mortal ser mais justo que D’us’, ou pode um homem ser mais puro que seu Criador?”13

Portanto em resposta à sua pergunta, sim, os anjos podem pecar. No entanto, somente podem pecar errando em sua missão ou tentando atingir níveis de revelação onde não podem estar.

Rabino Yehuda Shurpin responde perguntas no serviço do Chabad.org “Pergunte ao Rabino”

A partir dessas referencias os debates seguem incorporando novos caminhos, com a opinião do Pr Marcos Lopez, dizendo que “os anjos não tem livre arbítrio por serem santos. Eles tem uma mente santa e portanto não necessitariam de livre arbítrio, porque a mente santa automaticamente opta por Deus.” Com a indagação em seguida do Dr Wagner a respeito do livre arbitrio, dizendo que “se negarmos que existe hoje, não podemos negar que houve no passado, haja vista a rebelião.” O Pr Marcos segue dizendo que na historia abriu-se uma lacuna, para saber se lúcifer iria optar por Deus ou não, e que logicamente, isso aconteceu com permissão de Deus para que houvesse o conhecimento do mal; “se não houvesse rebelião não haveria conhecimento do mal.”

Assim sendo, Dr Wagner refuta com o seguinte texto:

*Lucifer ou título de portador de luz

* Diabo ou adversário

* Satã ou anjo da morte

Vejo como outras discussões

Lembrando que os textos de Isaías ou de Ezequiel não são aceitos por muitos. Alguns querem fazer pensar que era apenas reis na terra e não duplo sentido

Mas focando apenas na terça parte que supostamente se rebelou,  caso aceitemos esta premissa,  somos inclinados a pensar que eles detinham faculdade de escolha e que não foi apenas um lapso de tempo de forma isolada

Mas devemos refutar o argumento do Rabino Yehuda quando diz:

” Portanto em resposta à sua pergunta, sim, os anjos podem pecar. No entanto, somente podem pecar errando em sua missão ou tentando atingir níveis de revelação onde não podem estar.”

Pr Clemente faz uma indagação: Se lúcifer levou uma parte dos anjos isto que dizer que eles tem o livre arbítrio certo?

E assim se segue:

É uma linha de pensamento forte sem dúvida Pr Clemente. E no texto acima,  o Rabino diz que,  atualmente os anjos podem vir a cumprir uma missão não necessariamente como se robôs o fossem,  dando margem a pensar que eles tem opções de escolhas de como eles vão fazer as cosas acontecerem para chegar ao objetivos.(Dr Wagner Pedro)

Devemos nos perguntar onde estaria hoje o livre arbítrio dos anjos? (Pr Marcos Lopez)

Se paramos para pensar, foi feito um convite por lúcifer  aos outros anjos e eles foram porque Deus deixou todos a vontade, livres, escolha. Assim como Deus fez conosco. (Pr Clemente)

Eles podem fazer o que querem? Se não podem não teriam livre arbítrio (Pr Marcos Lopez)

Ate agora, não vejo que o anjo não tenha livre arbítrio. Os  anjos tem livre arbítrio mas como foi falado. Os anjos podem escolher e neste momento é cômodo estarem diante de Deus e se manterem na presença de Deus. (Pr Clemente)

Corroborando com Pr Clemente, o Pr Carlos segue dizendo que acredita no livre arbítrio dos anjos, por se tratar de um elemento da criação. Da mesma forma Pr Luiz Curvelo e Pr Clayton seguem na mesma opinião.

Porem, a essa altura, já começa a se falar nas questões das conjecturas feitas por homens falíveis.

As participações continuam e o Pr Erbert diz que o “diabo escolheu o caminho que queria.” Portanto, livre arbitrio. “A Palavra nao diz que o homem foi criando um pouco menor que os anjos?Se isso é vero… nao teria o porque nos humanos ter livre arbítrio  e os anjos não. .. (opniao pessoal)”. [4/8/2015, 13:09] +55 11 97627-9891: Do mesmo modo que o diabo e os que foram expulsos escolheram seguir seus caminhos longe de Deus. … nos… meros mortais. .. tambem.. escolhemos em ir para o Ceu ou não. .. pois no fundo… em quere ser salvo ou nao… depende de nós. .. aceitar Cristo. . Como salvador. ..

O Sacrifício Dele foi feito… e s palavra diz que Ele veio para salvar a todos… mas nem todos o Aceitaram. E isso é princípio de “livre escolha”.

O homem não tem escolha quanto a sua existência? Então, porque depois que ele passa a existir,  ele tem que fazer escolhas para o seu próprio bem,tendo que amar um suposto criador que o deu  a existência mesmo sem o mesmo ter ciência de como isso seria, e depois o entrega a responsabilidade quanto as suas obras,que o condena ou absorve eternamente? Não acho que o homem e livre para escolher,de certa forma tudo que e contra o preceito já estabelecido o condena. Eu vejo que no ponto de vista do Robertinho os anjos usaram mais da inteligência do que mesmo o livre arbítrio. (Pr Judson)

São as mesmas indagações que tenho.

E confesso que ainda não encontrei resposta.

E a medida que estudo encontro menos base para crer no livre arbítrio. Embora eu ainda creia.

 

Porém, na teologia bíblica não encotramos bases para defender essa tese … somente na teologia sistemática. (Pr Marcelo Amorim)

O Pr Roberto Cruvinel, corrobora com Moreh Betinho com relação ao livre arbítrio limitado dos anjos, ou seja, por não encontrar na bíblia, mais argumentos a respeito, entende-se que os anjos teriam perdido o livre arbítrio por decisão divina. Mas tudo segundo ele, não passa de conjecturas. “Podemos conjecturar e não especular.”             Porem, algumas situações na bíblia referente a homens e anjos, são deterministas mesmo. Revelando assim a soberania de Deus.

O Debate segue com algumas celeumas com relação ao livre arbítrio, porem, é levantado pelo Pr Marcos a questão da soberania de Deus com relação ao livre arbítrio dos anjos. Deus não teria controle no que acontece nos céus?

Angelologia, gênero dos seres célicos, volição… Minha humilde opinião. Creio que estas questões que os envolve vai depender da “imago Dei”; ou seja, são os anjos criados à imagem de Deus, à imagem de Deus eles foram criados? Os anjos são dotados atributos comunicáveis? (Gustavo)

E a medida que estudo encontro menos base para crer no livre arbítrio. Embora eu ainda creia. ” (Pr Amorim). A partir desse comentário, o Dr Wagner tece alguns comentários falando sobre a necessidade de continuar estudando.

O debate se encerra com palavras a respeito da soberania de Deus, e o Pr Cruvinel falando que é soberanista. Diferenciando-se de calvinista e arminianista. Com relação a isso, o que prevalece de fato é a vontade de Deus.

Mesmo crendo no livre arbítrio, o que o Pr Marcelo Amorim diz ser uma incoerência porque nenhum homem é capaz de ser arbitro de si mesmo porque não conhece as causas de suas escolhas. E mesmo havendo a possibilidade das escolhas limitadas dos homens, a vontade de Deus sempre vai prevalecer. Como no caso de Jonas, ou do chamamento de Moises e o endurecimento do coração de Faraó.

Participaram do debate:

Pr Marcelo Amorim – IPR, Rio de Janeiro, RJ.

Dr Wagner Pedro – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Clayton Moreno – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Carlos Roberto – IEAD, São Paulo, SP.

Moreh Jose Roberto (Betinho) – IEAD, São Paulo, SP.

Dc Gustavo Souza – IECB, Rio de Janeiro, RJ.

Pr Luiz Curvelo – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Erbert Silva – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Judson  – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Clemente – IEAD, São Paulo, SP.

Pr Roberto Cruvinel, IEAD, São Bernardo dos Campos, SP.