Entendendo o Novo Testamento e a fonte “Q”

Tempo de leitura: menos de 1 minuto

Evangelho Sinóptico palavra por palavra

Introdução 

Ao nos confrontarmos com questões adversas a respeito das narrativas neotestamentarias, necessitamos entender as questões envolvidas na formação do Cânon do Novo Testamento, para assim podermos compreender o conteúdo pratico dos escritos.

Para tanto, irei desenvolver nesse artigo, um estudo abrangente, afim de que as questões levantadas junto aos “Bereanos” sobre a fonte Q, sejam sumariamente respondidas. Não tenho a pretensão de eximir as duvidas em torno desse complexo assunto, mas sim, desenvolver uma ideia pratica sobre o problema sinóptico.

O Fundo Histórico do Novo Testamento

Um estudo adequado da Bíblia não pode ser feito sem uma consciência aguda das diferenças nas atitudes e estruturas políticas, culturais e religiosas que existem entre o Velho e o Novo Testamento. Supor-se-ia, logicamente, um certo desenvolvimento durante os 400 anos que decorreram entre os dois livros; mas as varias mudanças observáveis devem ser explicadas. É necessário, portanto, voltar-se, na historia, até o tempo entre os dois Testamentos, a fim de se apreciar mais completamente a situação pressuposta no Novo Testamento.

Algumas coisas que são aceitas como verdadeiras, no Novo Testamento, para as quais é necessária uma explicação, são as seguintes:

  1. A situação política (domínio romano, as divisões da Palestina).
  2. A dispersão judaica (Judeus em cada cidade principal do Império Romano).
  3. Uma sociedade urbana.
  4. A língua (grego e aramaico; hebraico limitado aos eruditos).
  5. Exclusivismo judaico.
  6. Ênfase sobre a Tora.
  7. O sinédrio.
  8. A sinagoga e a escola.
  9. Seitas religoso-politicas (saduceus, fariseus, essênios, escribas, zelotes, herodianos, zadoques).
  10. Literatura extra-canônica (apócrifos e pseudo-epígrafos).
  11. Tradição oral.
  12. Fim da Idolatria.
  13. Doutrina explicita da ressurreição.
  14. Doutrinas de anjos, demônios, etc.
  15. Publicanos e pecadores.
  16. Filosofia judaico alexandrina.
  17. Interesse no Apocalíptico.
  18. Samaritanos.
  19. Monogamia estrita.
  20. Sacerdócio corrupto.
  21. Messianismo político.

A abordagem a ser feita, neste estudo do fundo histórico, será ao longo de três linhas: a história política, as instituições e as seitas religiosas, e a literatura do período.

Historia

O velho testamento encerra-se com os filhos de Israel sob dominação dos persas. No Novo Testamento, a Palestina é subserviente aos romanos. A história política que denota esta mudança incide em quatro partes: o período persa, o período grego, o período macabeu ou asmoneu (o período da independência) e o período romano.

O período persa (538-331 a. C.)

O reino do norte de Israel havia sido conquistado pelos assírios em 722 a. C. sob a liderança de Sargão. Seus habitantes foram então deportados para a Assiria (II Reis 17;6) e para outras terras conquistadas. Por sua vez, os povos de outras nações conquistadas foram então importados, para povoarem a área conhecida como Samária. A política dos assírios foi tentar destruir todo vestígio de linhagem nacional e, assim, unir todos os povos num só.

Em 612 a. C., os babilônicos, liderados por Nabopolassar, destruíram Nínive e conquistaram os assírios. O reino do sul, Judá, caiu nas mãos dos babilônicos, sob Nabucodonosor, em 605 a. C., e alguns da família real e lideres abastados foram levados cativos para a Babilônia. Entre estes, estavam Daniel e os três jovens de Daniel 1. Uma curta rebelião em 597 a. C. foi suprimida, servindo de pretexto para outra deportação (incluindo Ezequiel). Uma revolta ainda posterior, conduzida por Zedequias, foi sufocada em 587 a. C., com a destruição completa do templo e deportação de todos, exceto algumas poucas pessoas pobres, para evitar que o pais se tornasse um deserto.

O “cativeiro babilônico” não foi tanto um cativeiro como um exílio. O propósito das deportações não foi tanto destruir as linhagens nacionais (como foi a política da assíria), mas punir aqueles que se opunham ao governo. Permitiu-se aos cativos uma parcela de liberdade, e eles podiam eleger seus próprios lideres em suas comunidades. Muitos desses exilados se tornaram lideres no governo babilônico, e bem poderosos. Esses exilados estavam começando a encontrar seu ponto forte real nos campos da industria e do comercio. A tendência que se iniciou na Babilonia tornou-se mais desenvolvida nas gerações posteriores, ate que, durante os tempos do Novo Testamento, as comunidades judaicas eram primariamente urbanas e comerciais, em vez do meio agrícola e pastoral do Velho Testamento.

Estando tão longe de Jerusalém, e sem ter o Templo de Salomão e o Tabernáculo para cultuar, o povo exigiu dos sacerdotes um modo temporário de retenção do conhecimento de Jeová. Assim, surgiram os grupos de adoradores que se reuniam regularmente para ouvir a lei lida, uma palavra de exortação ou explicação, o cântico de salmos e recitação das orações. Esses grupos formaram os primórdios da instituição que deveria posteriormente ser conhecida com o nome grego de “sinagoga” (“reunidos juntos”). A intenção, a principio, era que a sinagoga fosse apenas uma coisa temporária,  ate que a volta a Jerusalém pudesse ser feita e o Templo, reconstruído. Contudo, a importância da sinagoga como força coesiva na unificação dos judeus numa comunidade foi gradualmente reconhecida e aceita universalmente pelos lideres religiosos. Ela não somente era o meio para o ensino da lei e dos profetas, mas também um meio para ajudar os judeus a reterem sua identidade nacional.

Na sinagoga surgiu a importante função de mestre. Homens com percepções excepcionais na lei foram recrutados para liderarem nessa importante posição. O mestre podia, ou não, ter sido da linhagem sacerdotal. O ensino regular da Torah levou a uma ênfase renovada sobre o sábado, a circuncisão e o jejum. Algumas influências sutis das religiões da Babilônia e da Pérsia foram introduzidas nas instruções religiosas dadas pela sinagoga. Estas podem ser vistas nas doutrinas em desenvolvimento acerca da vida depois da morte, angelologia e demonologia.

O Período Grego (331-167 a. C.)

Em 336 a. C., quando Jadua era o sumo sacerdote, Filipe II da Macedônia foi assassinado quando fazia planos para invadir a Pérsia. Seu filho, Alexandre, sucedeu-o com a idade de 20 anos. Ele uniu toda a Macedônia e a Grécia e, em 334 a. C., atravessou o Helesponto, para libertar as colônias gregas da Ásia Menor. Com apenas 35.000 homens, Alexandre derrotou três generais de Dario III, em Granico, em 334 a. C., após passar uma noite sem dormir e ter tido uma visão de um ancião, que o aconselhava a continuar a luta contra os persas. No ano seguinte, 333 a. C., Alexandre outra vez derrotou um grande exercito em Issus. Somente após esta historia Alexandre se pos a sonhar com a conquista do mundo.

Atravessando ele os montes Tauros, distrito após distrito caíram diante do exercito grego. Josefo tem uma interessante historia do encontro de Alexandre com Jadua. Alexandre disse que Jadua era o homem do sonho. Por esta razão, os judeus foram tratados com respeito e obtiveram muitas das mesmas vantagens dos gregos. Parece que Manasses também recebeu a aprovação de Alexandre na construção do templo Gerezim. Foi a política de Alexandre fazer amigos dos conquistados sempre, quando e onde possível.

Alexandre morreu em 323 a. C., com a idade de 32 anos. Sua maior consecução não é considerada ser gênio militar (por grande que fosse). Ele é lembrado principalmente por sua qualidade de estadista. Ele é responsável pela fusão do Oriente e o Ocidente, ele foi capaz de abrir as portas do comercio. Através da propagação do idioma grego, a língua franca, o mundo capacitou-se para a comunicação. A miscigenação das raças estimulou um espírito de cosmopolitanismo, um sincretismo religioso e um interesse no individuo. A duradoura contribuição de Alexandre para a civilização mundial dificilmente pode ser sobrestimada ou imaginada.

Depois da morte de Alexandre o império caiu nas mãos de seis de seus generais. Laomedon tomou posse da Síria, Ptolomeu Lagus (Soter) recebeu o Egito, e a Babilônia caiu nas mãos de Seleuco. Os outros três não tinham a ver com os judeus. Dentro de dois anos, Ptolomeu e Seleuco derrotaram Laomedon, e os dois generais dividiram o território da Síria. A palestina ficou sob o controle de Ptolomeu.

Alexandria, planejada por Alexandre, tornou-se a capital e logo o centro liderante da cultura grega. Soter iniciou uma biblioteca que, na época de seu filho Ptolomeu Filadelfo (285-277 a. C.), tornou-se a maior do mundo antigo. Desejando ter uma copia, em sua biblioteca, de cada livro conhecido (traduzido para o grego), Filadelfo solicitou o sumo sacerdote Eleazar para providenciar a tradução das Escrituras hebraicas. A tradução resultante, a Septuaginta (LXX), tornou-se as Escrituras para a comunidade judaica de fala grega.

Em 192 a. C., ocorreu um evento que iria ter implicações políticas de longo alcance. As duas grandes ligas gregas, sempre em guerra uma com a outra, convidaram os sírios e os romanos a tomarem partido. Este é o primeiro aparecimento dos romanos como potencia mundial. Em 190 a. C., na batalha de Magnésia (entre Sardes e Esmirna), os romanos, sob a liderança de Cornélio Cipião (Scipio Asiaticus), derrotaram Antíoco. Ele teve que pagar uma indenização tremenda, entregar sua marinha e elefantes de guerra, enviar um filho como refém para Roma, desistir de todos, exceto dez, de seus navios mercantes (e não construir mais), e não devia fazer guerra contra nenhum dos aliados de Roma. Ao tentar levantar fundos para a divida, ele recorreu ao roubo dos templos de seu império. Em uma de suas viagens, na parte oriental de seu território, os guardas e sacerdotes do templo o mataram (187 a. C.).

Seleuco IV herdou o trono e a grande divida de seu pai. Ele seguiu uma política mal orientada em seu tratamento com os judeus. Como resultado, seu tesoureiro, Heliodoro, assassinou-o em 175 a. C. e tentou tomar o trono. Contudo, o irmão de Seleuco, que havia sido enviado a Roma como refém, retornou a Antioquia a tempo de se apoderar de trono.

Antioco IV (Epifânio) passara doze anos em Roma como refém. Ele foi saturado com a cultura grega e o legalismo romano. Ao voltar, determinou unificar o império, estabelecendo o politeísmo grego como religião estatal. Ele não iria tolerar nenhuma oposição aos seus planos. O único curso de ação, para ele, era forçar o povo, por todo o seu domínio, a aceitar a cultura grega. Através do sumo sacerdócio corrupto, em Jerusalém, os judeus mais influentes a principio estavam bem simpáticos a helenização.

Sob o pretexto de resolver um problema de casamento, Antíoco invadiu o Egito em 169 a.C. Jerusalém soube que ele fora morto e a cidade ardeu em exultação. Houve também alguma disputa sobre duas facções, que tentavam conseguir o sumo sacerdócio. Antíoco soube dessa disputa e, pensando que a Palestina estava em revolta contra ele, voltou e, entrando em Jerusalém, matou 40.000 e roubou o santuário. Retornando ao Egito, para prosseguir sua conquista ali, ele encontrou Laenus, o embaixador romano. O Egito era um aliado de Roma.

Forçado a deixar o Egito em vergonha e ignomínia. Antíoco voltou para casa através da Palestina. Ele culpou os judeus por sua falha em tomar o Egito. Mais uma vez entrando em Jerusalém, ele sacrificou um porco no altar, uma altar dedicado a Zeus foi colocado no Templo e as copias da lei foram confiscadas e destruídas. A pena por se ter uma copia da lei e praticar-se a circuncisão era a morte. Qualquer observância do sábado foi declarada ilegal. No mês de dezembro de 168 a. C., o sacrifício do Templo cessou. A “abominação da desolação” referida em Daniel 9:27 ocorrera.

O Período Macabeu ou Hasmoneu (167-63 a. C.)

A princípio a resistência dos judeus foi somente passiva. A medida que a perseguição aumentava em intensidade e os fogos da adoração de deus queimavam cada vez mais baixo, iniciou-se a resistência ativa. A liderança para a organização da resistência ativa começou com um sacerdote, na cidade de Modin, situada entre Jerusalém e Jope. Matatias era da linhagem de um certo Asamoneu ou Chasmon. É deste ultimo nome que a família tirou o nome, hasmoneu. Estando avançado em idade, Matatias teve cinco filhos: João, Simão, Judas, Eleazar e Jonatã. Judeus de toda Palestina, insatisfeitos com as políticas de helenização de Antíoco Epifânio e o sacerdócio corrupto, vieram a responder a chamada as armas. Muito antes, os hasidim ou assideus (zelotes da lei) uniram-se a Matatias. Após um ano e a morte do pai, a liderança do exercito passou a Judas, Simão servindo como conselheiro principal. Judas provou ser um general capaz e levou o nome de Macabeu (“Martelador”). Depois de uma serie de brilhantes vitorias, ele entrou em Jerusalém e rededicou o Templo, em 25 de dezembro de 165 a. C.

Não contente com simplesmente uma forma de liberdade religiosa em Jerusalém, Judas quis conseguir a liberdade política igualmente. Seus seguidores devotos (os hasidin), contudo, se opuseram a este plano ambicioso e o abandonaram. Com apenas 600 homens em seu exercito, Judas foi morto na batalha de Elasa, em 161 a. C. Muitos judeus sentiram-se ofendidos quando Judas apelara a Roma por ajuda (I Mac. 8:17-32).

Jonatã, irmão de Judas, tornou-se o lider da revolta, e, numa serie de brilhantes manobras políticas, foi designado sumo sacerdote, e os judeus receberam liberdade religiosa. Mediante a morte de Jonatã, Simão, o filho mais velho de Matatias, assumiu a liderança e o sumo sacerdócio. Em 142 a. C., a astura política diplomática de Simão foi recompensada com independência política completa.

De 142 a. C. a 63 a. C.,  a nação judaica esteve mais uma vez independente. Os príncipes que se seguiram a João Hircano I (filho de Simão) não tinham espírito de patriotismo corajoso e auto-sacrificial que havia marcado os antigos macabeus, e eles se degeneraram em procuradores de posição e intriga política dentro da família. Irmão contra irmão, filho contra mãe, até no final de uma disputa, foi apelado a força romana e, com intervenção dos romanos, a nação judaica tornou-se uma província romana.

O Período Romano (63 a.C. – 135 d. C.)

Sob Herodes, o Grande (63-4 a. C.) – com a morte da rainha Aleandra Salomé, 69 a. C., tanto o poder político como o religioso passaram para as mãos de um filho muito brando, João Hircano II. Seu irmão, Aristóbulo II, era muito ambicioso. Hircano foi persuadido a desistir do trono, mas reteve o oficio de sumo sacerdote. Aristóbulo logo cobiçou essa posição também. Antípater, um indumeu e conselheiro de Hircano, viu uma oportunidade de jogar um irmão contra o outro. Tomando o partido do irmão mais fraco, ele persuadiu Hircano que sua vida estava em perigo, e, assim foi feito apelo a Pompeu, general romano, e Antípater foi designado procurador, e Hircano, como sumo sacerdote. Antípater designou seu filho Fasael, governador da Judeia e seu filho Herodes, governador da Galiléia.

Após a morte  de Antípater e Fasael, Herodes recebeu de Antonio e Otavio,  em 40 a. C.,  o titulo de “Rei dos Judeus”. A nação da Judeia, contudo, ainda era uma parte da província romana da Síria. Hircano II permaneceu como sumo sacerdote por um certo tempo, mas finalmente foi despedido (depois que Herodes casou-se com a neta Mariamne), e este oficio tornou-se outra vez sujeito ao maior arrematador.

Herodes, o Grande, foi um intermediário eficaz entre os romanos e os judeus. Embora os judeus o odiassem, por ser um estranho e estar sob os romanos, Herodes persuadiu estes a concederem vários privilégios aqueles. Ele manteve a nação em pás com Roma. Tentando ganhar o apoio dos judeus, Herodes entrou num ambicioso programa de construção, eliminou os bandos errantes de salteadores, e, em geral, trouxe prosperidade a Judeia. Ele era, contudo, um homem muito ciumento e cheio de suspeitas. Um de seus maiores empreendimentos dói a reconstrução do templo, iniciada em 19 a. C., e ainda estava em progresso 46 anos mais tarde (João 2:20). Foi durante seu reinado e por causa de preocupação ciumenta por sua posição que ele ordenou a matança das crianças ao redor de Belém, após o nascimento de Jesus.

Sob os Procuradores (4 a. C. – 70 d. C.) – Como seus herdeiros não puderam controlar a Judeia, esta passou para o governo romano direto, através dos odiados procuradores. Não menos que 14 homens enviados à Judeia para governar os negócios. Geralmente esses homens  eram aqueles com quem o imperador romano tinha uma divida. Era uma posição lucrativa, e esses homens estavam mais interessados em se tornarem ricos do que serem bons governadores. De tempos em tempos os judeus expressavam sua insatisfação e os choques inevitáveis surgiam. Esses grupos reacionários aumentavam em numero a tal ponto, e os procuradores se tornaram tão implacáveis em suas políticas, que a revolta aberta irrompeu-se em 66 d.C. Este foi o começo da Guerra Judaico-Romana de 66-70 d. C. Jerusalém foi tomada pelos romanos, sob a liderança de Tito, o Templo destruído, e o sacrifício ordenado por Moises foi cessado ate o dia presente. A nação judaica cessou de ser uma nação, e o judaísmo sofreu um golpe tremendo.

Desenvolvimentos Religiosos

O Novo Testamento demonstra uma marcante diferença na atmosfera religiosa, em comparação com a do Velho Testamento. Isto é visto nas varias instituições, grupos e pela ênfase na tradição oral.

Instituições

A Sinagoga – Embora a tradição judaica afirme que a sinagoga teve origem mosaica, ela parece ter começado a existir durante o período babilônico ou persa. Até o tempo do exílio,  a adoração e a instrução religiosa judaicas centralizam-se em torno do Tabernáculo ou do Templo de Salomão. Na Babilônia, a instrução religiosa foi prosseguida pelos sacerdotes e levitas, numa tentativa de conservar o conhecimento de Deus vivo. Esses locais de adoração e instrução tornaram-se conhecidos como “sinagogas”; a palavra é grega e significa “reunidos juntos”. O proposito nunca incluía a ideia de se oferecer sacrifícios, o que poderia ser feito somente no Templo ou Tabernáculo.

Por toda diáspora judaica, sempre que havia homens suficientes, eram instituídas sinagogas. Muitas cidades tinham varias sinagogas, para dar conta do vasto numero de judeus naquelas áreas. Estima-se que Jerusalém, durante a época do Novo Testamento, tinha cerca de 500. Por esta razão, os missionários cristãos puderam ter acesso à maior parte do Império Romano. Eles, especialmente Paulo, iniciavam seu trabalho, sempre que possível, dentro da comunidade judaica e da sinagoga.

O Templo – Com o retorno do primeiro grupo de exilados, foi iniciado o trabalho da construção do Templo. Na realidade, este foi o propósito primordial para alguns retornarem. Os que permaneceram na Babilônia deram apoio financeiro para o retorno, a fim de que o Templo fosse construído. Sob a pregação de Ageu e Zacarias, o Templo foi terminado e dedicado em 517 a. C. Com alguns poucos acréscimos, para aumentar as áreas de reunião,  o Templo de Zorobabel durou até a época de Herodes, o Grande. Tentando obter o favor dos judeus, Herodes iniciou a construção de um templo que iria exceder em beleza o de Salomão.

O Sinédrio – Quando Esdras e Neemias trabalhavam em Jerusalém, eles fizeram o povo fazer pacto de que iriam viver por um código externo de regras baseadas, diziam eles, na lei de Moises. Quando Esdras e Neemias morreram, esta responsabilidade de instrução passou a um grupo de pessoas denominadas sopherin ou “grande sinagoga”. Este grupo durou cerca de 400 a 200 a. C. Este grupo foi o precursor do sinédrio. Seus sucessores, como mestres da lei, foram zugotes, que, por sua vez, foram sucedidos pelos tanains e pelos amorains.

Foi para o final da época da “grande sinagoga” que o termo sinédrion entrou em uso. Ele executava a função de suprema corte dos judeus, sendo o sumo sacerdote o presidente.

O conselho tinha setenta e um membros, encabeçados pelo sumo sacerdote. A maior parte dos membros era da linha sacerdotal e, portanto, do partido saduceu. Foi arranjado lugar, contudo, para os fariseus, abastados e bem conhecidos, especialmente grandes rabis. A partir da tradição rabínica, parece que este corpo tinha poder de legislar regras de conduta para todos os judeus, em todo o lugar. Por causa de seu prestigio, suas decisões eram honradas por toda dispersão judaica.

Grupos Religiosos

O Novo Testamento observa a presença de partidos religiosos que eram desconhecidos no Velho Testamento. A fonte principal de informação é encontrada nas obras de Flavio Josefo. Em dois de seus livros, As Guerras do Judeus e As Antiguidades dos Judeus, ele escreve acerca de quatro desses partidos: fariseus, saduceus, zelotes e essênios. Para nossos propósitos, os herodianos e zadoques devem ser acrescentados. Os samaritanos já foram mencionados.

Os Fariseus – O grupo maior e mais importante é chamado de fariseus. A palavra em si significa “separatistas”, tendo sido, provavelmente, paliçada como expressão de escárnio aos oponentes. Eles fizeram seu primeiro aparecimento definido como um grupo com este nome durante a época de João Hircano I. Alguns estudiosos dizem que o termo foi pela primeira vez usados quando alguns judeus piedosos “se separaram” de Judas Macabeu, depois de 165. É provável que eles foram os sucessores dos hasidins, que se haviam empenhado em separar-se” do pecado, e na “separação” (interpretação) das Escrituras, durante as reformas de Esdras e Neemias.

Seja qual for a origem, os fariseus foram o resultado fina do movimento que teve seus primórdios com Esdras, intensificado pelos hasidins, sob os sírios e romanos. Eles representam aquela tendência, no judaísmo, que sempre reagiu contra dominadores estrangeiros, mantendo o exclusivismo judaico e a lealdade à tradição dos pais. Pouco se interessavam no poder político, mas se tronaram os mentores políticos de Israel. Eles tinham controle sobre o povo do que os saduceus, que eram mais abastados e politicamente poderosos. Controlavam a sinagoga, e só eles sobreviveram a guerra judaico-romana.

Para o fariseu, a tradição oral suplantou a lei. Ele era o principal ponto em que divergiam dos saduceus, que não viam nenhuma necessidade de alterar-se a lei. Os fariseus diziam que as finas distinções das tradições orais eram para facilitar o cumprimento da lei sob novas condições e tornar virtualmente impossível pecar-se. Eles também colocavam uma forte ênfase sobre a providencia divina nos assuntos do homem.

Saduceus – Embora a origem da seita esteja perdida na obscuridade, o nome pode ter-se derivado de um certo Zadoque, que sucedeu Abiatar como sumo sacerdote durante os dias de Salomão. Pode ter vindo da palavra hebraica zoddikin, que significa, “os justos”. Os saduceus gabavam-se de sua fidelidade à letra da lei mosaica, em contra distinção à tradição oral. Este era o partido da aristocracia e dos sacerdotes abastados. Eles controlavam o sinédrio e qualquer resquício de poder político que restava. Eram os colaboracionistas, a tendência que favorecia o poder estrangeiro e que alinhava com ele pelo poder. Também controlavam o templo. O sumo sacerdote era sempre o líder deste grupo. Era um grupo fechado e não procurava prosélitos, como o faziam os fariseus.

Teologicamente conservadores (diziam), limitavam o canos à Torah ou Pentateuco. Rejeitavam as doutrinas da ressurreição, demônios, anjos, espíritos, e advogavam a vontade livre, em lugar da providencia divina.

Zelotes – os zelotes representavam o desenvolvimento na extrema esquerda entre o fariseus. Estavam interessados na independência da nação e sua autonomia, ao ponto de negligenciarem toda outra preocupação. Segundo Josefo, o fundador foi Judas de Gamala, que iniciou a revolta sobre o censo da taxação, em 6 d. C. Seu alvo era sacudir o jogo romano e anunciar o reino messiânico. Eles precipitaram a revolta em 66, que levou a destruição de Jerusallem em 70. Simão, o zelote, foi um dos apóstolos.

Essênios – Estes representavam o desenvolvimento na extrema direita entre os fariseus. Eram uma ordem distinta, na sociedade judaica, mais que uma seita dentro dela. Sendo o elemento mais conservador dos fariseus, eles enfatizavam a observação minuciosa da lei. Formavam uma comunidade ascética ao redor do Mar Morto, e viviam uma vida rigidamente devota. Eram a sobrevivência dos hasidins mais estritos, influenciados pela filosofia grega. A partir dos documentos de Qumram, parece que eles aguardavam um messias que iria combinar as linhagens real e sacerdotal, numa estrutura escatológica. Este grupo não PE mencionado em o Novo Testamento.

Herodianos – Os saduceus da extrema esquerda eram conhecidos como herodianos. Tirando o nome da família de Herodes, eles baseavam suas esperanças nacionais nessa família e olhavam para ela com respeito ao cumprimento das profecias acerca do Messias. Eles surgiram em 6 d. C.,  quando Arquelau, filho de Herodes, o Grande, foi deposto, e Augusto Cesar enviou um procurador, Coponico. Os judeus que favoreciam a dinastia herodiana eram chamados herodianos. Este grupo é mencionado em Mateus 22:16 e Marcos 3:6; 12:13.

Zadoques – Na extrema direita dos saduceus estava o grupo conhecido como os zadoqueus. Embora não mencionados em o Novo Testamento, este grupo é importante, porque mostra outra tendência entre os saduceus, talvez dando uma chave quanto à sua origem. Eram missionários fervorosos, em busca de um mestre de justiça que chamasse Israel de volta ao arrependimento e apareceria no advento do Messias. Eles aceitavam toda palavra escrita, mas rejeitavam a tradição oral. Eram muito abnegados na vida pessoal e leais aos regulamentos da pureza levítica. Deram grande ênfase a necessidade de arrependimento.

Tradição Oral

A tradição oral teve seus primórdios com a nova ênfase colocada na lei (escribismo) por Esdras, o escriba, por volta de 458 a. C., no período  persa. Todavia, os judeus afirmavam popularmente que ela remontava ao próprio Moises. Ele, diziam eles, a recebera de Deus ao mesmo tempo que a lei escrita, mas com instruções para não escrever a lei oral. A lei oral (ou tradição dos pais) não cresceu da noite para o dia, mas desenvolveu-se através de varias gerações, a medida que surgiam perguntas acerca da lei escrita. Constituía-se de interpretações rabínicas da Torah para situações especificas. A exegese da primeira geração foi conhecida como “haggadah”. Esta era apenas uma opinião dada a uma pergunta. Durante as gerações seguintes, se as perguntas vinham novamente à tona e se o comentário hagadaico pudesse ser lembrado, a interpretação, então, tornava-se “halachah” e igual à lei escrita. Tudo isto era feito de memória e passado de geração para geração, pelos rabis e pelos escribas.

Naturalmente, aparentemente diferenças nas interpretações, à medida que o tempo passava. E havia escolas diferentes. No primeiro século antes d Cristo, dois fariseus influentes estavam nas extremidades opostas do espectro teológico. Hillel, avô de Gamaliel de Atos 5:34, era liberal em seus pronunciamentos, e Shammai era muito estrito e legalista. O Talmude babilônico registra 316 controvérsias entre estas duas escolas de posição teológica.

Após a destruição de Jerusalém em 70 d. C., os fariseus foram para Jâmnia e iniciaram a tarefa de escrita da tradição dos pais. O precesso de codificação ocorreu entre 70 e 200 d. C. A obra acabada é chamada o Mishnah. Fez-se, então, um comentário sobre o Mishnah. Este é chamado o Gemarah. Estes dois foram combinados em uma obra completa, com o nome de Talmude. Este foi publicado em duas edições: o Talmude palestino (terminado pelo final do quarto século) e o Talmude babilônico (terminado pelo final do quinto século, e melhor organizado).

Literatura

Muitos tipos de literatura foram escritos pelos judeus durante a época do período interbíblico: historia, ficção, sabedoria, gêneros devocional e apocalíptico. A maior parte desses escritos perdeu-se, e o que sobreviveu se fez através de judeus cristãos, pois os judeus procuraram destruir pois os judeus procuraram destruir todos “livros de fora”. Foi costumeiro agrupar-se escritos em duas classificações, conhecidas como Apócrifos (aqueles juntados com o Velho Testamento, em vários manuscritos da Septuaginta) e os Pseudo-epígrafos (aqueles escritos durante o período, mas não juntados à LXX).

O cânon encerrado do Velho Testamento foi formado por estágios, e não se completou até após a Guerra Judaico Romana (66-70 d. C. ), quando se tornou evidente que o cristianismo e o judaísmo haviam-se definidamente separado, com nenhuma esperança de reconciliação. Os judeus farisaicos mudaram-se para Jâmnia e voltaram ao estudo da Torah com o novo propósito de reedificar o judaísmo. Eles não tolerariam nenhum outro escrito como tendo até mesmo igualdade aproximada com o Livro Sagrado. Só reconheciam os livros escritos em hebraico e aramaicos antes do final do período persa. Eles então destruíram todos os originais semíticos, de toda a literatura extra-canônica. Os livros que sobreviveram foram preservados pelos cristãos. Os cristãos, contudo, desde o principio reconheceram os “livros de fora” como não sendo parte das Sagradas Escrituras. O Concilio de Trento (1546), ao colocar a tradição em igual autoridade com o cânon aceito do Novo Testamento, declarou onze desses “livros de fora” como sendo genuínos.

Alguns desses livros tem grande valor histórico; outros são clássicos devocionais; uns são interessantes; outros, definitivamente, são invenções. Tanta coisa, nessa literatura, é abertamente supersticiosa e fora de harmonia com o restante das Escrituras, que não pode ser admitida como sendo inspirada. Pode ser lida proveitosamente, mas não deve ser usada como autoridade em doutrina. A classificação a seguir é para dar uma pequena introdução a esse corpo de literatura.

O Problema Sinóptico

Os três primeiros Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) apresentaram uma área de incerteza nos estudos do Novo Testamento. Estes livros foram chamados os “Evangelhos Sinópticos”, desde que o termo foi pela primeira vez usado por J. J. Griesbach, em sua edição do Novo Testamento grego, em 1774-1778. A palavra grega sunoráo significa “ver junto”, e chama a atenção para o material comum a todos os três e indica que eles são melhor compreendidos quando estudados juntos. Mesmo uma leitura casual dos quatro primeiros livros do Novo Testamento mostrará que os três primeiros tem muita coisa em comum (representando uma tradição comum) e o quarto parece pertencer a outra tradição distinta.

O estudo das relações literárias dos Evangelhos é denominado Critica Literária. Como se relaciona com os Evangelhos Sinópticos, ele é o estudo dos fenômenos de concordâncias e discordâncias e a mistura destes elementos. Estas relações literárias provaram ser mais complicadas que primeiramente imaginadas. Até cerca da metade do século dezoito, a Igreja interessou-se por explicar as diferenças encontradas nos Evangelhos. Depois a ênfase foi mudada, numa tentativa de explicar-se as semelhanças. Estas concordâncias, alem disso, não são necessariamente “identidades”; importantes diferenças aparecem dentro de estruturas semelhantes. Para esclarecer estas relações, é necessária uma reconstrução, tanto histórica quanto analítica, do processo inteiro, desde a época de sua origem até sua incorporação dentro dos livros do Novo Testamento.  A analise das origens do material antes do primeiro documento escrito é denominada Critica da Forma. A investigação das circunstâncias em que os atuais Evangelhos usaram um ou mais documentos escritos é denominada Critica da Fonte, e o modelo pelo qual os autores dos livros aceitos adaptaram as “fontes” para apresentarem seu argumento teológico é denominado Critica da Redação.

Definição do Problema Sinóptico

O problema Sinóptico entra em foco quando a seguinte estatística é observada: entre 94 e 95 por cento do Evangelho de Marcos é reproduzido em Mateus e Lucas. Dos 661 versículos contidos em Marcos, todos, exceto cerca de 30, são encontrados nos outros dois Sinópticos. A substancia de 606 versículos pode ser encontrada em Mateus (correspondendo a 500 por causa de diferente disposição do conteúdo). Lucas reproduz cerca de 320 versículos de marcos, incluindo 24 que Mateus não usou. Isto significa que, dos 661 versículos contidos em Marcos, somente 30 não aparecem nos outros dois Sinópticos.

É difícil, para muitos, aceitar a ideia de que os escritores dos Evangelhos poderiam ter usado historias tanto escritas quanto orais acerca da vida de Cristo. Sua concepção dos Evangelhos é que o Espírito Santo deu o material a cada um dos escritores de maneira mecânica; ou seja, os autores dos evangelhos eram simplesmente penas nas mãos do Espírito Santo. Contudo, o prefacio do Evangelho de Lucas afirma muito claramente que ele havia investigado muito interinamente o material a ser escrito. O texto do prefacio de Lucas (1:1-4) é:

“Visto que muitos tem empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípios foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver investigado tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem, para que conheças plenamente a verdade das coisas em que fostes instruído.”

Porque Lucas expressamente afirma que ele próprio havia verificado com “testemunhas oculares” e que outros já haviam empreendido a tarefa de escrever o Evangelho; isto, portanto, indicaria que Lucas teve acesso a “fontes” tanto orais quanto escritas. Deve ser presumido, então, que os outros escritores dos Evangelhos também usaram “fontes” para sua obra. A tarefa de tentar-se determinar estas fontes é denominada Critica da Fonte.

Critica da Fonte

A Tradição Oral – nos primeiros anos da igreja cristã, o evangelho foi transmitido e preservado oralmente. Como os primeiros discípulos esperavam para breve a volta do Senhor ressurreto, eles não sentiram nenhuma necessidade de escrever uma narrativa do testemunho apostólico. Foi somente depois que os apóstolos e outras testemunhas começaram a morrer e ser mortos, que se sentiu ser necessário preservar, em forma de escrita, o teor do ministério do Senhor Jesus. Foi durante esse período que surgiu o que é denominado a Tradição Oral do evangelho.

A pregação e ensino dos apóstolos e outros lideres da igreja, lógica e naturalmente, dariam uma forma fixa as narrativas acerca da vida de Jesus. Essa “tradição fixa” explicaria a relação estreita dos Sinópticos. As diferenças são explicadas como sendo contribuições de pessoas individuais, aumentando a informação mais geral, que pertencia à igreja como um todo. Então, também, o propósito de cada autor deve ser tido em mente, à medida que ele reuniu e colecionou seu material.

Sendo assim, A chamada fonte Q (que também é conhecida como documento Q ou evangelho Q é retirada da palavra alemã Quelle, que significa Fonte), é uma coleção hipotética dos ditos ou logia de Jesus, que e admitida como uma das duas fontes escritas que foram usadas como referência pelos escritores dos evangelhos de Mateus e Lucas. A outra fonte é o evangelho de Marcos, que é reconhecido como o mais antigo dos evangelhos. Então a fonte Q é definida como sendo o material encontrado tanto nos evangelhos de Mateus e de Lucas, mas que não é encontrado no evangelho de Marcos. A fonte Q é supostamente o materialmente que é baseado na tradição oral do cristianismo primitivo, e conteria os ensinamentos de Jesus, talvez até mesmo escritos por ele mesmo.

Ao lado da hipótese marconiana (que afirma que o evangelho de Marcos é o mais antigo), a hipótese da fonte Q foi estabelecida em 1900, e ambas constituem os fundamentos dos estudos modernos sobre as origens dos evangelhos. O estudioso inglês Burnett H. Streeter formulou uma visão amplamente aceita de como seria a fonte Q: ela teria sido um documento escrito (e não apenas uma tradição oral), composta em grego, e que quase todo o seu conteúdo aparece em Mateus ou em Lucas, ou em ambos, e que o evangelho de Lucas é o que mais preserva sua forma original na ordem do texto do que Mateus. Na hipótese das duas fontes, Mateus e Lucas usam o evangelho de Marcos e a fonte Q como suas fontes. Alguns eruditos postulam que Q era na verdade uma pluralidade de fontes, algumas compostas por escrito, e outras orais. Outros tem tentado determinar as etapas nas quais Q foi composta.

Como toda hipótese científica, a existência de Q foi algumas vezes modificada, e até mesmo questionada. Um dos maiores críticos e céticos com relação à teoria da fonte Q foi Mark Goodacre, um professor neo-testamentário da Universidade de Duke, Carolina do Norte. Segundo ele a omissão do que deveria ter sido um documento cristão altamente precioso de todos os catálogos da Igreja primitiva, e que não é mencionado por parte dos padres da Igreja antiga, pode ser visto como um grande enigma para a moderna erudição bíblica. Contudo isso, muitos escolásticos explicam isso por apontar que copiar ou mencionar a fonte Q não era necessário, desde que ela havia se dissolvido em outros textos, nomeadamente os dois evangelhos canônicos (Mateus e Lucas), que haviam ganhado maior importância. O conselho editorial internacional do projeto Q sugere: “Durante o segundo século da era cristã, quando o processo de canonização estava começando a consolidar, os escribas não fizeram novas cópias de Q pelo simples fato de que o processo de canonização envolvia a escolha daquilo que deveria e do que não deveria ser usado na liturgia da igreja. Então eles preferiram fazer cópias dos evangelhos de Mateus e de Lucas, onde os ditos de Jesus tirados da fonte Q foram reformulados para evitar mal entendidos, para atender suas próprias necessidades e de sua compreensão daquilo que Jesus realmente queria dizer “. Apesar dos desafios, a hipótese de duas fontes mantém amplo apoio, e permanece como base para os estudos modernos do Novo Testamento.

fonte Q

Estudiosos do Novo Testamento do século XIX que rejeitaram a perspectiva tradicional da prioridade de Mateus, em favor da prioridade de Marcos, começaram a especular que os autores de Mateus e Lucas tiraram o material que eles têm em comum com o Evangelho de Marcos justamente desse evangelho. Mateus e Lucas, no entanto, também compartilham grandes seções de texto que não são encontrados em Marcos. Eles sugeriram que nem um dos dois evangelhos se guiou sobre o outro, mas em cima de uma segunda fonte comum, denominado Q.

Nos tempos modernos, a primeira pessoa a fazer uma hipótese de uma fonte Q foi um inglês chamado Herbert Marsh, em 1801, em uma solução complicada para o problema sinóptico que seus contemporâneos haviam ignorado. Marsh rotulou esta fonte com a letra hebraica Beth (ב).

A próxima pessoa a avançar na hipótese Q foi o alemão Friedrich Schleiermacher em 1832, que interpretou uma declaração enigmática de um dos primeiros escritores cristãos, Papias de Hierápolis, cerca de 125: “Mateus compilou os oráculos (em grego: logia) do Senhor de uma forma hebraica de expressão “. Mais do que a interpretação tradicional que Papias estava se referindo à escrita de Mateus em hebraico, Schleiermacher acreditavam que Papias estava realmente dando testemunho de uma coleção de ditos que estava disponível para os Evangelistas.

Em 1838, outro alemão, Christian Hermann Weisse, aceitou a sugestão de uma fonte de palavras de Schleiermacher, e à isso combinou com a idéia de prioridade de Marcos para formular o que é agora chamado a Hipótese das Duas Fontes, em que Mateus e Lucas usaram Marcos e da fonte de Ditos. Heinrich Julius Holtzmann aprovou esta abordagem em um tratamento influente do problema sinóptico, em 1863, e a hipótese das duas fontes manteve o seu domínio desde então.

Até este momento, “Q” era normalmente chamado de Logia por conta da declaração de Papias, e Holtzmann deu-lhe o símbolo Lambda (Λ). Perto do final do século 19, no entanto, dúvidas começaram a crescer na propriedade de ancorar a existência da coleção de ditos no testemunho de Papias, portanto, um símbolo neutro “Q “ (que foi inventado por Johannes Weiss baseado na palavra alemã Quelle, foi adotado significado de origem) para permanecer neutro, independente da coleção de ditos e sua conexão com Papias.

Esta hipótese das duas fontes especula que Mateus “emprestou” material de Marcos e de uma coleção de ditos hipotéticos chamada Q. Para a maioria dos estudiosos, a coleção de ditos “Q” explica o que Mateus e Lucas compartilham – às vezes em exatamente as mesmas palavras – mas não são encontradas em Marcos. Exemplos de tais materiais são: As três tentações do diabo à Jesus, as bem-aventuranças, a Oração do Pai Nosso, e muitos provérbios individuais.

No livro “Quatro Evangelhos: Um Estudo das Origens (1924), Burnett Hillman Streeter argumentou que uma terceira fonte, conhecido como ”M” e também hipotética, está por trás do material em Mateus e que não tem paralelo em Marcos ou em Lucas. Além disso, algum material presente apenas em Lucas pode ter vindo de uma fonte de “L”, também desconhecida. Este Hipótese das Quatro Fontes postula que havia pelo menos quatro fontes para o Evangelho de Mateus e o Evangelho de Lucas: o Evangelho de Marcos, e de três fontes perdidas: Q, M e L (material de M é representado pelo verde no gráfico acima)

Durante todo o restante do século 20, houve vários desafios e refinamentos da hipótese de Streeter. Por exemplo, em seu livro de 1953 “O Evangelho Antes de Marcos”, Pierson Parker postulou uma primeira versão de Mateus (conhecido como o “Aramaico M” ou Proto-Mateus) como a fonte primária. Parker argumentou que não foi possível separar o material de Streeter “M”, a partir do material em Mateus paralelo à Marcos.

Nas duas primeiras décadas do século 20, foram feitas mais de uma dúzia de reconstruções de Q. No entanto, estas reconstruções diferiam tanto entre si que nem um único versículo de Mateus estava presente em todos elas. Como resultado, o interesse em Q diminuiu, e foi negligenciado por muitas décadas.

Este estado de coisas mudou a partir do ano de 1960, depois de traduções de uma coleção de ditos recém descobertos e análogos, o Evangelho de Tomé, tornou-se disponível. James M. Robinson, do Seminário de Jesus, e Helmut Koester propuseram que as coleções de provérbios, como Q e o Evangelho de Tomé ,representam os primeiros materiais cristãos em um ponto inicial de uma trajetória que acabou resultando nos evangelhos canônicos.

Esta explosão de interesse após a descoberta do Evangelho de Thomas levou à reconstruções literárias cada vez mais sofisticados de Q, e até mesmo a especulação redacional, nomeadamente na obra de John S. Kloppenborg. Kloppenborg, através da análise de certos fenômenos literários e temáticos, argumentou que Q foi composta em três fases. Na sua opinião, no estágio primitivo foi uma coleção de ditos de sabedoria que envolviam questões como pobreza e discipulado. Então, ele postula, esta coleção foi ampliada com a inclusão de um estrato de ditos de julgamento contra “esta geração”. A fase final inclui a narrativa da tentação de Jesus.

Embora Kloppenborg alertou contra assumir que a história da composição Q é a mesma que a história da tradição de Jesus (isto é, que o estrato mais antigo de Q é necessariamente o estrato da tradição antiga e pura de Jesus), alguns pesquisasores recentes do histórico Jesus, incluindo os membros do Semináriode Jesus, fizeram exatamente isso. Baseando suas reconstruções, principalmente no Evangelho de Tomé e no estrato mais antigo de Q, eles propõem que Jesus era um filosofo sábio, ao invés de um rabino judeu, embora não todos os membros afirmam a hipótese das duas fontes.

No entanto, os estudiosos que apoiam a hipótese da evolução histórica de três estágios de Q, como Burton L. Mack, argumentam que a unidade Q vem não só do fato de ser compartilhada por Mateus e Lucas, mas também porque, nos estratos de Q como reconstruído, os estratos posteriores construidos em cima e pressupõem que os anteriores, ao passo que o inverso não é o caso. Assim, evidências de que Q tem sido revisto não é evidência para a desunião em Q, uma vez que as revisões hipotéticas dependem de ligações lógicas assimétricas entre os que devem ser postaos como estratos posteriores e anteriores.

A Composição

No estudo da literatura bíblica, alguns estudiosos acreditam que um redator desconhecido compôs em língua grega um proto-evangelho. Pode ter estado em circulação em forma escrita no mesmo tempo da composição dos Evangelhos Sinópticos (ou seja, entre 65 e 95 d.C.). O nome “Q” foi cunhado pelo teólogo alemão e estudioso bíblico Johannes Weiss.

Relação dos Evangelhos Sinopticos

Os Evangelhos Sinópticos e a Natureza da Q

A relação entre os três evangelhos sinóticos vai além da mera semelhança dos pontos de vista. Os evangelhos frequentemente contam as mesmas histórias, geralmente na mesma ordem, e às vezes usando as mesmas palavras. Estudiosos notam que as semelhanças entre Marcos, Mateus e Lucas são grandes demais para serem explicadas por mera coincidência.

Se a hipótese das duas fontes estiver correta, então Q provavelmente teria sido um documento escrito. Se Q eram apenas uma tradição oral compartilhada, não poderia explicar as semelhanças quase idênticas, palavra por palavra entre Mateus e Lucas ao citar o material Q. Da mesma forma, é possível deduzir que Q foi escrito em grego. Se os Evangelhos de Mateus e Lucas estavam se referindo a um documento que tinha sido escrito em outra língua (por exemplo, o aramaico), é altamente improvável que duas traduções independentes teriam exatamente a mesma redação.

O documento Q deve ter sido composto antes dos Evangelhos de Mateus e Lucas. Alguns estudiosos chegam a sugerir Q pode até ter precedido Marcos. A data para a redação do documento final Q é muitas vezes colocada na década de 40 ou 50, nos anos do primeiro século, com alguns argumentando que sua chamada camada sapiencial (1Q, contendo seis discursos de Sabedoria) foi escrita no início dos anos 30.

Se Q existiu, então ele está perdido. Alguns estudiosos acreditam que ele pode ser parcialmente reconstruído, examinando elementos comuns a Mateus e Lucas (mas ausente em Marcos). Este Q reconstruído é notável na medida em que geralmente não descreve os acontecimentos da vida de Jesus: Q não menciona o nascimento de Jesus, a sua seleção dos 12 discípulos, a sua crucificação, ou sua ressurreição. Em vez disso, ele parece ser uma coleção de provérbios e citações de Jesus.

Argumentos a favor de Q

A existência de Q decorre do argumento de que nem Mateus nem Lucas estão diretamente dependente um do outro na dupla tradição (definido pelos estudiosos do Novo Testamento, como material de que Mateus e Lucas partes que não aparecem em Marcos). No entanto, o acordo verbal entre Mateus e Lucas está tão perto em algumas partes da dupla tradição que a explicação mais razoável para esse acordo é a dependência comum em uma fonte escrita ou outras fontes. Mesmo que Mateus e Lucas sejam independentes, a hipótese da fonte Q diz que eles usaram um documento comum. Os argumentos para Q ser um documento escrito incluem:

Às vezes, a exatidão na formulação é impressionante, por exemplo, a narrativa de Mateus 6:24 é igual à de Lucas 16:13 (27 e 28 palavras gregas, respectivamente); também a narrativa em Mateus 7:7-8 é igual à Lucas 11:9-10 (24 palavras gregas cada).

Há, por vezes, em comum, na ordem entre os dois, como por exemplo, no Sermão da Planície/Sermão da Montanha.

A presença de parelhas, onde Mateus e Lucas, por vezes, cada apresentam duas versões de um ditado semelhante, mas em um contexto diferente, apenas uma dessas versões aparece em Marcos. Parelhas podem ser consideradas como um sinal de duas fontes escritas, ou seja, Marcos e Q. Lucas menciona que ele sabe de outras fontes escritas sobre a vida de Jesus, e que ele tinha investigado a fim de recolher o máximo de informação.

O fato de que não existe nenhum manuscrito de Q atualmente não argumenta necessariamente contra a sua existência. Muitos textos do cristianismo primitivo já não existem, e só por acaso sabe que eles existiram uma vez, devido à sua citação ou a sua menção nos textos existentes. Como o texto de Q foi incorporado ao corpo de Mateus e Lucas, a importância de preservá-lo tornou-se menos importante, bem como o interesse em copiar Marcos parece ter sido extinto substancialmente, uma vez que ele foi incorporado em Mateus.

As Objeções contra Q

Embora a maioria dos estudiosos aceite a hipótese de duas fontes, muitos nunca foram inteiramente satisfeitos com isso. A dificuldade tende a girar em torno Q. A Hipótese de Duas fonte explica a dupla tradição, postulando a existência de um “ditos de Jesus” perdido, documento conhecido como Q. É este, em vez de prioridade de Marcos, que forma a característica distintiva da hipótese.

Embora essa hipótese continue a ser a explicação mais popular para a origem dos evangelhos sinóticos, a existência de “concordâncias menores” levantou sérias preocupações. Estes concordâncias menores são aqueles pontos onde Mateus e Lucas concordam contra ou além Marcos precisamente dentro de seus versos de Marcos (por exemplo, a questão de zombaria no espancamento de Jesus: “Quem é que te bateu?” (Lucas 22:64 /Matt 26:68), encontrados tanto em Mateus e Lucas, mas não em Marcos, embora deva ser notado que esta “concordância menor” cai fora da faixa geralmente aceite de Q). As “pequenas concordâncias”, assim, põem em causa a proposição de que Mateus e Lucas conheciam Marcos mas não o outro, por exemplo, Lucas poderia ter sido de fato seguido Mateus, ou pelo menos uma fonte como Mateus. Peabody e McNicol argumentam que até uma explicação razoável como a Hipótese de Duas Fontes não é viável.

Em segundo lugar, como é que uma grande e respeitada fonte, usada em dois evangelhos canônicos, desapareceria totalmente? Se Q existisse, estas palavras de Jesus teria sido altamente valorizadas na Igreja Primitiva. Permanece um mistério como um documento tão importante, que foi a base de dois evangelhos canônicos, pode ser totalmente perdido. Um mistério ainda maior é que os extensos catálogos Igreja compilados por Eusébio e Nicéforo iria omitir uma obra tão importante, e tais catálogos, no entanto, incluem narrativas como o Evangelho de Pedro e o Evangelho de Tomé. A existência de um documento de palavras altamente valiosas em circulação indo não mencionado pelos Padres da Igreja Primitiva continua sendo um dos grandes enigmas da erudição bíblica moderna. Pier Franco Beatrice argumenta que até que esses problemas sejam resolvidos, Q permanece em dúvida.

Alguns estudiosos afirmam que o Evangelho de Mateus, de acordo com os hebreus foi a base para a tradição sinóptica. Eles apontam que na primeira seção da De Viris Illustribus (De Viris Illustribus (Sobre homens ilustres em latim) é uma coleção de centro e trinta e cinco pequenas biografias compiladas pelo pai da Igreja latina do século IV dC, Jerônimo), encontramos o Evangelho de Marcos onde deveria estar como foi o primeiro evangelho a ser escrito, e foi a base de evangelhos posteriores. Depois que deveria ser Q. Mas não é só Q não está onde deveria estar no topo da lista de Jerônimo, este trabalho precioso a gravação dos Logia de Cristo não é mencionado em nenhum parte por Jerônimo. Em vez disso, o primeiro documento seminal não é Q, mas o Evangelho Segundo os Hebreus. O lugar de honra da lista, que deveria ser dada ao documento Q, é ocupado por um texto hebraico.

Austin Farrer, Michael Goulder, e Mark Goodacre também argumentam contra Q, mantendo a prioridade de Marcos, alegando o uso de Mateus por Lucas como fonte. Essa visão veio a ser conhecida como a Hipótese de Farrer. Seus argumentos incluem:

Farrer, em seu artigo de 1955, e que foi o primeiro a delinear esta hipótese, observa que, quando encontramos dois documentos que contêm material comum, idêntico nas palavras e frases que eles usam para descrever algumas cenas, a explicação mais simples é que um dos dois usou o outro como uma fonte, em vez de ambos utilizando um terceiro documento como uma fonte.

Goulder aponta para frases comuns de Mateus como “raça de víboras”, “produzir frutos”, e “lançado no fogo”, e que cada uma delas aparecem em Lucas apenas uma vez, em uma passagem de Q. A conclusão de Goulder, com base em estilos de escrita, é que Mateus é a fonte para esses ditos “Q”.

Goodacre observa que não há cópia existente do Q, e que nenhum escritor igreja primitiva faz uma referência explícita a um documento semelhante a Q, que os estudiosos modernos têm reconstruído a partir do material comum em Lucas e Mateus.

Enquanto defensores dizem que a descoberta do Evangelho de Tomé suporta o conceito de um “Evangelho de Ditos”, Mark Goodacre aponta que Q tem uma estrutura narrativa como reconstruído, e não é simplesmente uma lista de palavras.

Outros estudiosos têm argumentos contra a Q:

Há um “Fumus Boni Juris” que dois documentos, ambos corrigindo a linguagem de Marcos, acrescentando narrativas de nascimento e um epílogo da ressurreição, e adicionando uma grande quantidade de “material de palavras” é provável que se assemelhem entre si, ao invés de ter tal escopo semelhante por coincidência.

Especificamente existem 347 casos (pela contagem de Neirynck), onde uma ou mais palavras são adicionadas ao texto de Marcos, tanto em Mateus e Lucas, que são chamadas de “pequenas semelhanças” contra Marcos. Em 198 casos envolvem uma palavra, 82 envolvem duas palavras, 35 envolvem três palavras, 16 envolvem quatro palavras e outras 16 ocorrências envolvendo cinco ou mais palavras nos textos existentes de Mateus e Lucas, em comparação com as passagens de Marcos.

John Wenham (1913-1996) aderiu à hipótese agostiniana de que Mateus foi o primeiro Evangelho, Marcos o segundo, e Lucas o terceiro, e opôs por motivos semelhantes aos que sustentam a hipótese de Griesbach (conhecida como Hipotese dos Dois Evangelhos)

Eta Linnemann, um antigo discípulo de Bultmann, rejeitou Q e a prioridade de Marcos, para uma variação da Hipótese dos Dois Evangelhos, que sustenta que a exigência Mosaica para “duas testemunhas” exige dois evangelhos: um evangelho judeu e outro evangelhos para a necessidade do público na Diáspora.

Os conteúdos notáveis de Q

Algumas das mais notáveis porções do Novo Testamento que são acreditados terem sido originados em Q:

  • As bem-aventuranças
  • Amai os vossos inimigos
  • Regra de Ouro
  • Não julgueis, para que não sejais julgados
  • O teste de uma boa pessoa
  • A Parábola dos Sábios e os Construtores Tolos
  • A Parábola da Ovelha Perdida
  • A Parábola da Festa de Casamento
  • A Parábola dos Talentos
  • A Parábola do Fermento
  • A Parábola do cego guiando outro cego
  • A Oração do Pai Nosso
  • A exposição da Lei
  • Os pássaros do céu e os lírios do campo

Referências bibliográficas sobre o assunto:

Introduction to the New Testament, Everett F. Harrison, Wm. Eerdmans (1971) 

A Formação do Novo Testamento, Oscar Cullman, Ed. Sinodal (2001) 

História da formação do Novo Testamento, Pinheiro Martins, Ed. CELD (1993) 

Introdução ao Novo Testamento, Werner G. Kümmel, Ed. Paulus 

Introdução ao Estudo do Novo Testamento, Broadus David Hale, Editora Hagnos

The five gospels.Harper SanFrancisco. Funk, Robert W., Roy W. Hoover, and the Jesus Seminar, [1993] 

Introduction to the New Testament, Everett Falconer Harrison [1971] Wm. Eerdmans 

Ehrman, Bart D. (2004). The New Testament: A Historical Introduction to the Early Christian Writings. New York: Oxford. 

Three Views on the Origins of the Synoptic Gospels, Robert L. Thomas

The Biblical Canon: Its Origin, Transmission, and Authority, Lee Martin McDonald

Exploring the Origins of the Bible: Canon Formation in Historical, Literary, and

Theological Perspective (Acadia Studies in Bible and Theology) Craig A. Evans, Emanuel Tov, Lee McDonald

The Canon Debate, Lee Martin McDonald, James A. Sanders

Site: Historia das Religiões